Sábado, 25 de Agosto de 2007

Acção!

O cinema não é um pequeno botão vermelho colocado num ponto estratégico de uma câmara de filmar que despoleta um mecanismo compreensível para alguns que grava imagens captadas através de um sistema de lentes concavas e convexas num determinado suporte.

O cinema é um olhar! É uma visão parcelar do mundo real e imaginado projectados directamente no imaginário de cada espectador.

O cinema não se projecta sobre o vazio de uma superfície branca, lisa. O cinema projecta-se sobre o imaginário, a vida, as experiências e os sonhos de cada espectador. O cinema não constrói, mostra. A realidade e a ficção existem antes da criação. Existem, subsitem e persistem no quotidiano. De forma tão material como uma chavená de café ou um raio de luz.

O cinema é uma forma, uma história, uma liguagem um meio de comunicação. Não um gerador de sentidos em absoluto. Gera sentidos, significados e mensagens, mas através do uso complementar dos seus instrumentos de comunicação.

O cinema é som e imagem, como outras linguagens são igualmente som e imagem. O cinema não é interacção física mas intelectual. O cinema é exterior com reflexos no interior. As emoções não estão no cinema, nem os medos, nem as histórias. Tudo isso está no espectador e é eventualmente despertado por um filme.

O cinema é cada espectador. Um filme são oitenta filmes, são 500 filmes, são milhões de filmes se milhões de pessoas assistirem a esse mesmo "filme original".


O cinema não existe desde sempre. O cinema foi inventado e foi construído por pessoas que, inicialmente, não sabiam o que era cinema, porque cinema não era nada. Foi sendo... vai sendo.

Vai sendo, à medida que existe, em função daquilo que foi. E por isso será por aí que começaremos.

Pelo que o cinema tem sido.

O que será o cinema? Seremos nós a decidir. Está tudo em aberto para o futuro. Em relação ao passado, poderemos, na melhor das hipóteses, entender de forma diferente do que temos entendido.

Aqui, começaremos por ver o que tem sido o cinema desde os finais do séc. XIX. A proposta é convencional e previsível: um percurso pela história do cinema ocidental. Um percurso breve, sistematizado, instrumentalizável em ferramentas de leitura e compreensão de objectos de cinema.

Com este ponto de partida iremos onde os nossos passos nos levarem. Tenho a expectativa que o caminho seja NOSSO, porque, mais do que um mapa, queremos cinema.

A todos, as boasvindas!

Bate-se a claquete e a síncronia estabelece-se entre nós...

Obrigado!

Segunda-feira, 20 de Agosto de 2007


"Unidos para Sempre" de Jorge Marques Ribeiro